Comandos Regionais: comemorar, avaliar e fortalecer a organização.
Marcos Manoel dos SantosDiretor de Escola. DRE Santo Amaro
Após mais de 120 dias, terminou a Greve pela Vida. Dentre outras, uma das marcas mais fortes desse Movimento foi a atuação dos comandos regionais que de forma autônoma, organizaram a categoria, realizaram atividades virtuais, visitas às escolas, carreatas, atos públicos e outras atividades. Por diversas vezes, tentaram interlocução com as DREs e, apesar das dificuldades, mobilizaram a categoria para participar das atividades centrais e para que permanecesse em greve pelo maior tempo possível.
Essa constatação, se por um lado é muito positiva, pois mos"ra “que o pulso ainda pulsa" como dizia a chamada de um dos comandos regionais, ou seja, que há disposição para a luta na base da categoria, por outro lado, desvela a fragilidade de articulação, organização e encaminhamentos por parte das direções sindicais, de modo especial do SINESP, situação ainda mais agravada quando pensamos na necessária "territorialização das lutas"
Os comandos regionais, legítimos, necessários e que merecem ter vida longa, surgiram principalmente por conta do vazio político e organizativo deixado pela burocracia sindical. Se por um lado devemos comemorar seu surgimento, por outro, devemos reconhecer a urgência em solucionar o vazio político e organizativo deixado pelas atuais direções sindicais que tanto fragilizam as lutas e reduzem as possibilidades de conquista da categoria e da classe trabalhadora em geral.
Terminada a greve, se quisermos ter nas próximas batalhas que certamente virão, mais organização, mobilização e conquistas significativas, precisamos dar continuidade e encaminhamentos a essa reflexão. Nesse sentido, é fundamental que se rediscuta o papel de representantes do local de trabalho, conselheiras/os regionais e dos encontros onde se reúnem. As ações formativas precisam se atentar aos conteúdos e também às estratégias, tendo como horizonte esse fortalecimento da organização sindical nos territórios que compõem a cidade.
Além disso, no mês de setembro, teremos oportunidade de eleger a nova Diretoria do SINESP, o Movimento Renova Sinesp defende que a organização e as práticas sindicais estejam efetivamente pautadas na/pela base, fortaleça RELTs e CREPs, que mantenha encontros frequentes desses/as representantes, articulação entre as unidades educacionais do território e interlocução cotidiana com o Poder Local afim de encaminhar as questões que afligem o dia a dia das escolas e viabilizar projetos onde se realizem as potencialidades de educadoras e educadores. Essas estratégias são fundamentais se quisermos fortalecer nossos sindicatos. Não precisamos esperar a próxima greve para ver educadoras e educadores sendo protagonistas, ocupando ruas e praças de seus territórios. Quem sabe faz a hora.
